Antes de mais nada, acredito que é necessário ser sincero com qualquer um que possa vir a ler estas palavras. Estou escrevendo embreagado. Sim, eu bebi bastante antes de escrever este texto, mas não compreendo que isso seja algo pejorativo e que possa vir a retirar a essência, significado e credibilidade que o teor deste relato irá apresentar. Digo isso com total tranquilidade, pois, quem vier a ler, pode me cobrar (caso me conheça) qualquer erro gramatical ou ortográfico que possa vir a surgir. Dito isso, inicio meu pronunciamento. É final de translação. Nosso planeta completou uma volta inteira ao redor de nossa estrela. Se é lento ou rápido este processo, a resposta é deveras subjetiva. Einstein sabe muito bem do que digo, e tomarei a liberdade de tentar incrementar sua teoria (muitos dirão que se trata de coisa de bêbado, but whatever...). A relatividade deste movimento varia de como interpretamos ou entendemos ele. Uma translação: o que dá pra fazer em uma translação? Eu entendo que o tempo é deveras esticado e muita coisa pode ocorrer neste período. Todavia, acredito que, por mais que possamos viver ou testemunhar inúmeros acontecimentos, a sensação que é transmitida a nós em muitos casos entende-se como veloz, pois não parece que a última translação se completou em algum momento muito distante. Como diríamos, parece que foi ontem. Em minha ideia, não haveria tão cedo um ano tão difícil e terrível como foi o período entre 02 de Dezembro de 2015 para 02 de Dezembro de 2016. Na realidade, o período que o substituiu não foi nada positivo no seu conjunto da obra, mas começou de forma totalmente diferente de seu antecessor, e veio a sofrer uma vertiginosa decadência ao decorrer de seu período. Neste período, me descobri doente. Acredito que já estava assim faz algum tempo, mas somente neste pude compreender o que se passava comigo. O medo de encontrar pessoas, a reclusão, as crises de ansiedade e choro, o pessimismo, a solidão, a descrença de um amanhã melhor que o hoje e superior ao ontem. Esta armadilha inesperada mina qualquer crença em planos que qualquer pessoa possa ter. O que não é tão ruim, uma vez que abdiquei de planos tem algum tempo. Mas este período foi nefasto e terrível, entre tantas coisas, pela minha covardia com a vida. Pela minha negligência ao sentimento alheio. Pela minha prisão moral, onde me escondo, fugindo da minha realidade e acreditando viver uma realidade alternativa que se aproxima da utopia que sempre almejei sonhar. Pela raiva e mau humor que apareceram vez ou outra em circunstâncias em que me exigiam tentar ser o mais racional possível. Pela maldade das minhas atitudes com quem foi importante comigo. Se eu prosseguir com esta lista, não terei qualquer horário para concluí-la, sendo neste caso necessário encerrá-la por aqui, apenas para que possam compreender a dimensão do estrago que minha mente e alma se encontram. Não estou morrendo, e nem estou agonizando. Talvez, rastejando? Até possa ser. Como diria a música: "Você tem que aprender a rastejar antes de aprender a andar". Como os bebês. E penso que este é o único cenário em que você tem a chance de regressar no tempo. Não que se retorne a ser uma criança, pois nossas cicatrizes do tempo impedem aquela sensação pura. Restam somente lembranças desta época. Mas te limitam no que desejará fazer, uma vez que vivemos um momento de disseminação da informação pelo planeta (talvez seu único trabalho neste sentido seja investigar com a melhor fonte possível e com as melhores informações obtidas. Acho que falei muita coisa a toa quando deveria falar da translação. Como chorei nesta translação. Como desacreditei em mim mesmo. Como magoei gente. Como teve gente que fugiu de mim. Como eu estou isolado. Foi necessário um choque de realidade para entender as dificuldades e admitir toda a característica desta chaga. Ela foi a imperatriz furiosa neste apocalipse de Mad Max que corresponde ao período entre 02/12/2016 até hoje. Nesta fase assumi algumas convicções que possam até ofender alguém, mas asseguro que não seja de forma pejorativa ou irônica. É apenas compartilhamento de um período difícil, onde quase abdiquei de tudo, onde não acreditava nem em mim mesmo, onde não teria coragem de reencontrar pessoas, dada a minha covardia para encarar as coisas como elas são. Bom, imagino que não há mais nada a se fazer quando as coisas se mostram indomáveis ou mesmo difíceis d ese encarar. Mas eu acredito que a luz no fim do túnel surge. É tão longo chegar nela. Mas a gente chega lá de qualquer modo, pois a história é um rascunho ao vivo do qual temos que ser espertos para rasurar e saber qual será nossa próxima obra. É o ensaio da nossa arte de viver. E que venha a próxima translação.
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