terça-feira, 13 de agosto de 2013
O Vocalista
Já era a sétima ou oitava folha que Bill amassava e jogava fora. Ele estava preocupado. Já fazia um tempo que a inspiração não vinha. Já haviam meses que não conseguia ingressar em uma banda, muito por sua própria escolha, pois estava cansado de desgastes com integrantes. Decidira tentar levar a música sozinho, para não ter aborrecimentos. Sua história com a música e com bandas é movimentada...
Bill cresceu vendo muitas bandas tocarem em seu bairro. Desde criança, ele assistia a apresentação delas, e se fascinava, queria ter a oportunidade de poder fazer o mesmo. Mas nunca mexeu com música, e não se decidia o que faria. O máximo que conseguia, durante sua adolescência, eram umas jam sessions, algumas palhas em festas, e nada mais. Não era considerado alguém procurado pelos conjuntos. Haviam grupos que ele almejava, mas o garoto era totalmente ignorado.
Aos 16 pra 17 anos, foi que apareceu uma banda muito visada por Bill, em seu colégio. Ele desejava ser membro da banda Los Solenes. A banda era muito ovacionada no colégio, e isso fazia com que Bill achasse que não haveria chance de ingressar. Ele queria ser guitarridta e fazer backing vocals. Quem sabe cantar algumas músicas. Pra sua surpresa, os integrantes da banda começaram a se aproximar muito dele, mas nunca ofereceram um posto ao rapaz. Ele concluiu que não conseguiria nada, e com o tempo, foi se desligando da idéia de integrar Los Solenes. Anos depois, saberia que a banda esperava que ele se oferecesse a ser vocalista da mesma...
Já aos 20 anos, Bill começou a ganhar repercussão por fazer muitas jam sessions boas, e acabou aceitando o convite pra cantar em uma banda nova que surgia, a Magic Grass. Mesmo com um nome estranho, até mesmo infantil, ele percebeu que não haviam muitas escolhas, e que, quem sabe, aquilo poderia dar certo?
No começo, o Magic Grass venerava Bill. Era um cara até experiente, ideal pra uma banda que surgia. E Bill, aos poucos, começou a se sentir bem cantando na Magic Grass. Houveram momentos de discussões, pois os demais integrantes foram amadurecendo, e algumas divergências vieram à tona. Mas o "casamento" entre Bill e Magic Grass durou em torno de 3 anos, até que a banda, durante alguns meses em que Bill estava a fazer projetos solos, surpreendentemente o demitiu e contratou outro vocalista. Pra Bill foi um soco no estômago. Que outra banda desejaria sua participação? Bill tentou retornar, convencer a banda que era o cara certo, mas foi em vão, e percebeu que precisava seguir sua carreira agora sem o Magic Grass.
Entretanto, as possibilidades pra Bill estavam em alta. Bill acabou fazendo amizade com vários músicos, e convites chegaram a ele. Os dois principais, foram de, respectivamente, uma banda country, chamada Trovadores do Mato, e uma banda de longe, chamada Onda Mental, uma banda indie. Por incrível que pareça, Bill aceitou cantar no Trovadores do Mato, pois o convite da Onda Mental chegou depois que ele já estava apalavrado com o conjunto country. A Onda Mental acabou recrutando rapidamente outro vocalista, mas ainda admirava o trabalho de Bill.
Acabou que a escolha de Bill foi equivocada, pois os Trovadores do Mato estavam na verdade desejando o regresso de seu antigo vocalista, e isso fez com que Bill voltasse a estar com a auto-estima baixa em relação ao seu talento. Com o tempo, ele mesmo de perguntaria que raios o fez escolher cantar nos Trovadores do Mato, um conjunto country, sendo que ele era um artista rock.
Bill aproveitou para aperfeiçoar sua técnica, e acabou sendo convidado para cantar em uma banda de hard rock, a Rebel Family. Neste período, ele também foi convidado para cantar em uma banda nova que surgia, o Reino Aéreo, de música rock mais pop. Bill optou pelo Rebel Family, por achar que o Reino Aéreo era muito inexperiente pra ele, e se surpreendeu, pois era ovacionado pelos fãs do Rebel Family, e admirado pelos colegas. Paralelo a isso, a Onda Mental, que estava muito popular, se espalhando pelo país, e o Reino Aéreo começavam a demonstrar certo "ciúme" da boa relação de Bill e sua atual banda. Porém, a instabilidade dos músicos de Hard Rock fizeram com que Bill deixasse a banda, e não queria perder tempo esperando os demais se recomporem. Haviam ainda duas bandas que manifestaran interesse nele, mas, apesar de almejar a Onda Mental, ele considerava que a banda era muito distante, e isso poderia pesar. Acabou decidindo ir cantar no Reino Aéreo, visando o desafio de liderar uma banda nova. A princípio, estava dando certo, mas a mentalidade adolescente do Reino Aéreo já náo serviam mais para Bill, ao mesmo tempo que a Onda Mental estava sem vocalista, e queria muito Bill na banda. Sua participação no Reino Aéreo chegou ao fim, e em pouco tempo, começou a sua melhor experiência com bandas. Bill estava excursionando, era aclamado, e empolgadíssimo. Sentia-se um rock star. Onda Mental foi a sua banda mais marcante, e ele estava cada vez mais envolvido no trabalho com o grupo. Mas com o passar do tempo, o peso de estar num grupo tão importante e popular fizeram com que atritos surgissem. Bill não estava conseguindo dar conta do recado, e até então, cantou em grupos menos expressivos, e o peso da camisa do Onda Mental estava muito grande, até que, por fim, a banda o demitiu. Bill estava arrasado. Perdera toda a aventura de cantar numa banda importante, viajar e cantar em lugares diferentes. Mas decidiu prosseguir. Fez muitas jam sessions, sem querer entrar em nenhuma banda. Participou de gravações, shows, com outras bandas, e convites para ingressar vieram, mas Bill não queria. Ainda estava frustrado por sair da Onda Mental. Até que, num festival da noite paulistana, Bill, que estava no backstage, foi chamado de última hora, pra subir no palco e cantar para uma banda que ele não conhecia, a Carta Anônima. E nem ele sabia que aquele show seria fantástico. Bill e o Carta Anônima estavam em excelente forma, e isso fez com que ele se livrasse da culpa de sair do Onda Mental. Cantar puro rock and roll no Carta Anônima foi excelente, e a banda estava empolgada com Bill. Parecia que o rapaz encontrou o conjunto certo pra ele, e a noite paulistana ovacionava o grupo. Mas Bill não sabia que havia uma sombra, o vocalista anterior, que muitos fãs consideravam a alma do Carta Anônima. Ele sugeriu um retorno, e acabou que Bill foi dispensado. Passou quase um ano em carreira solo. Houveram participações, mas Bill, por conta dos baques, estava fora de forma. Caiu no conceito de muita gente. Meses depois, a instabilidade do Carta Anônima com seu antigo vocalista fizeram com que o posto de vocalista ficasse disponível novamente, abrindo uma nova chance pra Bill. O problema é que, apesar de muitos fãs apoiarem o retorno de Bill, outros desejavam a vinda de um novo vocalista, o que acabou ocorrendo. Hoje, Bil decidiu seguir seu caminho sem bandas. Aprendeu que não precisa das bandas, ao menos por enquanto. Está em excelente forma, como jamais esteve. Sobram convites, mas ele não se arrisca. Cansou de quebrar a cabeça. Mas falta-lhe uma coisa. A inspiração. Já fazem meses que não vem, afinal, o tempo passou. Já não é mais um adolescente cheio de idéias. E está lá, tentando buscar inspiração sozinho. Se pergunta se seria o caso de procurar uma nova banda. Mas não. Já era grande, com nome. Talvez seja uma fase, e ele voltará a brilhar. Enquanto isso, continuará tentando fazer sua música. Jogar 7, 8, 100 folhas. Mas lá está Bill, um vocalista esperando, quem sabe, a próxima banda, ou seguir solo...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário