quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Chaos, galaktiese stof ...

Devo admitir que a sensação de escrever para mim mesmo é algo um tanto quanto insano... Pior que isso, é criar um blog para poder fazer isso, ao invés de simplesmente pensar consigo mesmo sobre o que é necessário refletir. Eu andava esquecido deste blog. Criei faz muito tempo para poder compartilhar minhas ideias, e com o tempo, ele foi sendo esquecido, foi ficando obsoleto. Foi "jantado" pelas redes sociais hoje mais conhecidas. O tempo passou, e já não sou mais a mesma pessoa de outrora, que sonhava em conquistar o mundo compartilhando pensamentos. Pra falar a verdade, durante estes últimos anos sem aparecer por aqui, o que eu mais me convenci é de que mudar o mundo (ainda mais com minhas convicções anteriores) é algo muito difícil, praticamente impossível. Vamos crescendo, acumulando informação, desenvolvendo senso crítico, adquirindo experiência de vida, conhecendo pessoas, esquecendo pessoas... A única convicção que tenho das antigas postagens, a qual posso afirmar categoricamente, mesmo não recordando em qual exatamente eu havia mencionado, é que a vida é maluca e caótica. Aliás, caos tem sido uma palavra bem sugestiva para estes últimos anos. Mas não somente pelo significado literal da palavra, como se fosse algo apenas circunstancial. O caos impera em tudo. O universo é regido pelo caos. O mundo é regido pelo caos. O sapiens é a reprodução do caos. Em alguns casos, o caos é pejorativo. Em outros, ele pode proporcionar benefícios. O caos não significa apenas que coisas ruins ou catastróficas ocorrerão. Ele significa a aleatoriedade de tudo. A incerteza dos próximos 5 minutos. A garantia de que jamais haverá spoilers para a vida. O problema do caos, é tal qual um touro enlouquecido e solto, que não calcula muito bem onde está e o que está fazendo, e pode sair destruindo tudo por aí. Ou mesmo uma tsunami, a qual inicia-se por um processo bastante diminuto se comparado a suas consequências finais. Este é o preço pago de não ter domínio de nossas vidas (e que jamais teremos): o caos é quem passa a ditar as regras, mas sem seguir lógica alguma. Apenas seguindo as leis do universo.
Outro tabu que havia prometido quando criei este espaço seria evitar falar de assuntos pessoais meus, e é nítido o quanto eu não consegui respeitar isso. Acabei me expondo, expondo pessoas, falando visões das quais, provavelmente, eu não compartilho mais dos mesmos princípios, pois a gente cresce e segue nossa missão de metamorfose humana. Somos frágeis quando mais novos, e parece que depois de um determinado momento, começamos a estagnar gradualmente, ou mesmo nossas rotinas tornam-se aceleradas e ocupadas ao extremo, evitando assim que possamos dedicar nosso tempo para auto reflexão.
Tempo. Palavra mágica. Tão mágica que está muito intrínseca só de citar gente muito importante, como Einstein ou Newton. Uma dimensão absurdamente gigante, a qual não temos poder algum. Somos meros passageiros do tempo, e este trem bala o qual ele é segue desenfreado. Não há ticket de volta nesta viagem, e pra acrescentar, não temos garantia alguma de qual itinerário, e muito menos qual o destino final. Somos dominados e conduzidos de forma cega. De que adianta conquistarmos os espaços se jamais poderemos usufruir de tais quando não temos garantia alguma de quanto tempo teremos para isso? E o que dizer então sobre esta dimensão chamada tempo, que vai se eternizar, e nosso embarque nele é pífio, mesquinho, limitado, mínimo, diminuto, minúsculo. Entramos e saímos nesta "embarcação" na mesma proporção de período com o qual piscamos os olhos. Somos mera poeira no meio do caos.
E mesmo assim, para alguém da nossa pequenez, em nossa escala, acabamos por viver coisas fantásticas. Coisas terríveis. Coisas estranhas. Coisas agradáveis. Coisas irritantes, alegres, tristes, sarcásticas, polêmicas, cotidianas, pacíficas, agitadas, intensas, insanas, tranquilas, vagarosas, aceleradas, mínimas, máximas, que não valem nada, ou que valham um mundo para nós. Sei que faltaram N definições nesta lista, mas apenas para que possamos refletir. É uma bagagem enorme, que pode tanto nos enaltecer como sapiens neste mundo, como podem também não servir de nada e ser apenas material descartável. Não penso que isso seja exagero de minha parte. Mas devemos reconhecer que para muitos, tudo isso pode ser apenas uma experiência desagradável e que não tenha mais sentido algum. Também não estou querendo ser dramático demais afirmando isso. Apenas que, nesta jornada chamada vida, cada um vive algo diferente do outro. E que para alguns, o caos rege as coisas de forma que tudo parece OK. Para outras pessoas, infelizmente, o mesmo caos não é nem de longe uma fração de generoso como foi para as primeiras citadas. E esta dualidade com certeza é confusa. Por um lado, o caos é justo, pois ele não escolhe quem vai tratar bem ou mal (ao menos desconheço se há alguma ordem ou lógica nisso). Por outro lado, como podemos dizer que há justiça quando uns são exaltados e outros condenados, sendo que não há crime que pese em suas vivências?
Se nossa vida é incontrolável, vivemos um tempo pífio, e estamos sujeitos a tantas situações, por que acumulamos sensações e sentimentos intensos, os quais permitimos que influenciem nas nossas decisões, dentro daquilo que possuímos "alçada" para agir? Por que guardamos o medo? Por que acumulamos a ira? Qual a razão de estarmos alegres? Isso de fato é bom a todo tempo? Por que vivenciamos a tristeza? Não estou procurando as respostas destas perguntas, até porque NINGUÉM saberá respondê-las. NINGUÉM. E justamente por sermos mera poeira estelar. Não temos e não teremos conhecimento algum sobre as coisas e suas regras. Achamos que somos sábios, inteligentes, intelectuais, mas não somos nada disso. Somos meros passageiros do tempo e do caos. E ao mesmo tempo, quase à deriva. Não saberemos o que ocorrerá nas próximas horas ou minutos, e não teremos o poder de determinar isso. Fazer planos pode ser frustrante justamente por conta destas variações ou oscilações. Percebem o quanto o caos está presente? Não bastasse ele determinar o mundo exterior, consequentemente ele determina também nossas mentes, pois elas sempre estão expostas a este universo e irão reagir ou se moldar de acordo com os acontecimentos ao nosso redor. Qual a razão de ter medo de viver diante disso? E qual a razão de ter medo de morrer, uma vez que esta é a única certeza que possuímos neste cenário todo? Nestes últimos anos, eu tentei ser eu mesmo. Mas no fim, eu jamais fui eu mesmo. Pois eu nunca terei certeza de quem eu sou e que diabos eu estou fazendo aqui. Me sinto uma variável ambulante. Quando se pensa em tudo isso que citei aqui, acaba-se por ter uma nova situação: perde-se o interesse por tudo e por todos. A indiferença passa a ser a base dos seus pensamentos, e com isso, um enorme vácuo passa a tomar posse de ti. Mas por que levantar questões tão relevantes ocasionam isso?
Ando cansado de muita coisa por aí. Acho este mundo uma caixa de pandora das injustiças e desencontros. É insolente que sejamos regidos por pessoas tão limitadas e pífias. É revoltante você ver por aí as diferenças. Uns mais belos, outros tão feios. Uns tão ricos e abundantes, outros tão pobres e miseráveis. Uns tão livres e poderosos, outros tão cativos e restringidos. Uns tão sadios, outros tão doentes. E tudo isso burlou o filtro do caos. Porque achamos que somos importantes. Que temos relevância. Que somos Senhores do nosso Destino. Pura balela, mentira cabeluda. Não somos absolutamente nada, e ao fim da jornada, vamos virar a poeira espacial que sempre fomos, para nos colocar no nosso devido lugar. Enquanto isso não ocorre, sempre sobrará a sensação de impotência em tentar ajustar estas calamidades que presenciamos. Fosse ainda o caos quem as organizasse, ainda me conformaria. Mas não me conformo de que nós queiramos tomar as rédeas, dado que somos uma das aberrações mais nocivas que já existiu. Admito que a minha vontade quando vejo tudo isso é permanecer deitado, sem me levantar, por meses, para evitar a contaminação. O mundo está contaminado. E se expor a ele pode ser fatal.